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O ENGODO DAS GRANDES REDES DE FRANQUIAS: Tamanho Não É Garantia de Segurança

"Me prometeram um caminho de sucesso. Hoje estou emocionalmente devastada." — Esse é o relato de uma ex-franqueada que acumulou R$ 750 mil em dívidas após investir na maior rede de franquias do Brasil.


Se você está avaliando investir em uma franquia, provavelmente já ouviu que escolher uma marca grande e consolidada é mais seguro. A lógica parece fazer sentido: uma rede com milhares de unidades já provou que o modelo funciona, certo?


Os casos recentes envolvendo a Cacau Show e o Grupo Salus (responsável pela Sorridents e Giolaser) mostram que essa lógica pode ser uma armadilha. E uma armadilha cara GRANDES REDES DE FRANQUIAS.


O ENGODO DAS GRANDES REDES DE FRANQUIAS: Quando o sonho vira estatística


A Cacau Show é a maior rede de franquias do Brasil, com mais de 4.600 unidades espalhadas pelo país. Uma marca querida, presente em shoppings e ruas de praticamente todas as cidades. Para muitos empreendedores, parecia o investimento perfeito.


Em 2025, documentos internos da própria empresa revelaram que os franqueados acumularam prejuízos de aproximadamente R$ 145 milhões. O índice de lucratividade operacional das lojas, que deveria subir para compensar a inflação, despencou. A perda média anual por loja chegou a mais de R$ 32 mil.


Não são números abstratos. Por trás deles estão pessoas que investiram as economias de uma vida, que deram casas e carros como garantia de contratos, que trabalharam sem férias e feriados acreditando na promessa de um negócio próprio rentável.


Uma franqueada relatou ter acumulado dívidas de R$ 2 milhões. Outra descreveu sua condição atual como a de uma "morta-viva", carregando R$ 750 mil em débitos e sem saber como sair da situação.


O que acontece quando a rede cresce demais


O sistema de franquias se baseia em uma troca: o franqueado paga taxas e royalties em troca de usar uma marca consolidada e, principalmente, receber transferência de know-how. Esse conhecimento — sobre gestão, operação, marketing, fornecedores — é o que teoricamente diferencia uma franquia de abrir um negócio do zero.


Mas quando uma rede atinge milhares de unidades, essa equação muda. O franqueado deixa de ser um parceiro e passa a ser um número. A transferência de conhecimento se reduz a manuais padronizados. O suporte vira cobrança de metas.


Os relatos dos franqueados da Cacau Show ilustram esse padrão. Uma empresária procurou ajuda da consultora da rede em meio a dificuldades financeiras e ouviu que precisava "se benzer". Uma franqueada gaúcha teve sua loja completamente destruída pelas enchentes de 2024 — a água chegou até o teto, ela perdeu tudo — e mesmo assim continuou sendo cobrada por cada chocolate perdido. Nem royalties nem taxas foram suspensos.


Quando franqueados questionaram cobranças ou alterações nas condições comerciais, passaram a sofrer retaliações. Entre as formas de punição relatadas estão o envio de produtos com prazos de validade próximos do vencimento e itens com baixa saída, que acabam encalhados nas lojas. Um juiz da 25ª Vara Cível de Brasília chegou a reconhecer, em processo judicial, que a empresa adota políticas punitivas contra franqueados em litígio.


Taxas que surgem do nada


Um dos problemas mais graves relatados envolve a criação de cobranças não previstas nos contratos originais.


Em 2024, quando o preço internacional do cacau disparou, a Cacau Show criou a chamada "taxa do cacau" — uma cobrança adicional repassada aos franqueados para cobrir o aumento da matéria-prima. Segundo relatos, a taxa foi imposta de forma unilateral, sem previsão contratual, e cobrada inclusive de forma retroativa sobre produtos já vendidos. Franqueados receberam boletos de R$ 20 mil, R$ 30 mil, sem possibilidade de negociação.


Para quem se recusou a pagar, a consequência foi o bloqueio no fornecimento de produtos. Uma franqueada relatou ter ficado um ano sem receber mercadorias porque questionou a taxa — mas os royalties e taxas de publicidade continuaram sendo cobrados normalmente, mesmo sem ter o que vender.


O padrão se repete em outras grandes redes. No Grupo Salus, franqueados da Giolaser e Sorridents relatam cobranças não previstas no contrato, imposição de taxas e promessas de rentabilidade que nunca se concretizaram. Um franqueado afirma ter investido mais de R$ 7 milhões e acumulado perdas superiores a R$ 11 milhões, enquanto a franqueadora teria obtido mais de R$ 3 milhões apenas em royalties no mesmo período.


A CEO do grupo é investigada pelo Ministério Público de São Paulo por crimes como propaganda enganosa e pirâmide financeira.


O sistema que se alimenta do fracasso


Há um aspecto particularmente perverso no modelo de algumas grandes redes: elas podem lucrar mesmo quando o franqueado quebra.


Os contratos frequentemente preveem que, em caso de encerramento, a franqueadora tem o direito de intermediar — ou controlar — a venda da unidade. Isso significa que a mesma loja que faliu nas mãos de um franqueado pode ser revendida para outro, gerando nova taxa de franquia para a rede.


Uma ex-franqueada da Cacau Show resumiu assim: "A sensação que eu tenho é que quanto mais franqueado quebrar, mais loja ele vai repassar, vai ganhar taxa de franquia, vai ganhar juros. Virou uma indústria. E ele lucra com tudo. Ficou bilionário deixando um rastro de pessoas quebradas."


Os contratos também costumam exigir garantias pessoais — bens como casas e carros dos franqueados — que ficam comprometidos em caso de inadimplência. Quando as dívidas se acumulam, o franqueado não consegue simplesmente fechar a loja e seguir em frente. Está preso.


O marketing que esconde a realidade


Enquanto franqueados acumulam dívidas e relatam práticas abusivas, as redes continuam investindo pesado em marketing. A Cacau Show, por exemplo, aparece entre os 50 maiores anunciantes do Brasil, com investimentos de quase R$ 300 milhões em compra de mídia.


Esse contraste entre a imagem pública e a realidade dos bastidores é um dos elementos mais perigosos para quem está avaliando investir. A propaganda mostra histórias de sucesso, depoimentos emocionantes, números impressionantes de faturamento. O que não mostra são os custos ocultos, as taxas que surgem depois, as metas impossíveis, o suporte que não existe.


No caso da Giolaser, a marca usava a imagem da atriz Giovanna Antonelli — que era sócia do negócio — como garantia de credibilidade. Franqueados relatam terem sido atraídos pela propaganda que prometia alta rentabilidade. A realidade foi outra: processos judiciais apontam promessas enganosas e a inviabilidade de manter uma franquia aberta sem acumular prejuízos.


Como se proteger antes de investir


Se você está avaliando uma franquia, o primeiro passo é entender que a Circular de Oferta de Franquia (COF) — documento obrigatório que a franqueadora deve fornecer — conta apenas parte da história. Ela traz informações importantes, mas não revela as práticas do dia a dia, as cobranças que podem surgir depois, ou como a rede trata franqueados que enfrentam dificuldades.


Antes de assinar qualquer contrato, algumas verificações são essenciais.


Converse com franqueados atuais e, principalmente, com ex-franqueados. A COF deve listar os contatos de quem saiu da rede nos últimos 12 meses. Pergunte diretamente: o suporte prometido foi entregue? Houve cobranças não previstas? Como foi o processo de encerramento?


Analise se a franqueadora tem unidades próprias operando. Se a rede não opera suas próprias lojas, pode ser um sinal de que o modelo só funciona para quem vende franquias, não para quem as opera.


Verifique se os demonstrativos financeiros apresentados são realistas e auditáveis. Projeções de faturamento e lucratividade devem ter base em dados concretos, não em cenários otimistas.


Examine o contrato com atenção especializada. Não basta ler — é preciso entender o que está nas entrelinhas, o que pode ser alterado unilateralmente, quais garantias estão sendo exigidas, e o que acontece em caso de encerramento.


Se você já é franqueado e está em dificuldades


Para quem já está dentro de uma rede e enfrenta problemas, a situação é mais delicada, mas não sem saída.


O primeiro passo é documentar tudo. Guarde comunicações, cobranças, aditamentos de contrato, qualquer evidência de práticas abusivas ou diferentes do que foi prometido originalmente.


Busque outros franqueados na mesma situação. Associações de franqueados têm conseguido, em alguns casos, questionar coletivamente práticas abusivas e obter resultados na Justiça.


Avalie juridicamente suas opções. Dependendo do caso, pode ser possível questionar cobranças indevidas, anular cláusulas abusivas, ou negociar a saída da rede em condições menos prejudiciais.


O que não é recomendável é simplesmente aceitar a situação como irreversível ou acreditar que "vai melhorar" sem mudanças concretas. Os relatos mostram que, em muitos casos, a estratégia das redes problemáticas é justamente manter o franqueado preso pelo maior tempo possível, acumulando taxas e royalties mesmo quando a operação já não é viável.


Franquia pode ser um bom negócio — com as proteções certas


Nada disso significa que todo investimento em franquia é arriscado ou que todas as redes são problemáticas. Existem franqueadoras sérias, com modelos sustentáveis e relações equilibradas com seus franqueados.


O problema é que o tamanho da rede, a fama da marca ou o volume de propaganda não são indicadores confiáveis de qualidade. Os casos recentes mostram que mesmo as maiores e mais conhecidas franquias do país podem esconder práticas que destroem o patrimônio e a saúde de quem investe.


A proteção está em fazer a análise certa antes de assinar — e em ter acompanhamento especializado para identificar os riscos que não aparecem na propaganda.


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GRANDES REDES DE FRANQUIAS
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